Arquivo mensal: março 2014

A paz…

Peguei!!

Peguei!!

Oi! Estamos numa alegria danada pras bandas de cá! Chico teve alta definitiva! Está há uma semana vivendo a vida que desejou: pulando, correndo, lutando com a Alice seu mais forte MMA Felino e infernizando a vida dela como nunca (adeus, Alice doce e ronronenta, mas é por uma ótima causa)!

afffff... muleque chato!

afffff… muleque chato!

Muitas pessoas chegam até o blog pesquisando problemas e soluções pra saúde do gatinho. Então, os que enfrentam a situação de cirurgia ortopédica do seu bigode: paciência! Não apresse os processos, respeite o tempo do bichinho e suporte tudo com serenidade – não tem coisa melhor do que vê-los bem depois da tempestade. Não é fácil, pq gato é um bicho que gosta de pular e fazer arte, mas é possível e nós conseguimos!

O que a gente aprendeu:

– Nunca, nunca, nunca deixe sacolas ao alcance do seu gatinho. Mesmo as de papel, que eles amam! Quando eles inventarem de brincar com sacolas, corte as alças e supervisione SEMPRE!! Uma bobeira deixou o Chico sete meses no maior inferno astral felino: cirurgia, internação e contenção.

– Se o seu gatinho se machucou e precisa de correção cirúrgica, se vc tiver condição, deixe-o internado pelo maior tempo possível, ainda que isso parta o seu coração. Em uma clínica, além de ficar contido num espaço limitado, ele vai ter atendimento médico quando sentir dor.

– Se não puder manter o bichinho internado pq é caro (sim, nós sabemos disso), consiga uma gaiolinha confortável pra que ele fique mesmo restrito e não corra o risco de perder a intervenção (sim, nós tb sabemos disso)

Obrigada a todos os envolvidos no processo de recuperação do Chicolino e tb a todos os que nos deram algum tipo de apoio! É sempre bom saber que tem alguém torcendo pela gente!!

Que foi? Não posso brincar também?

Que foi? Não posso brincar também?

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Bonitos!

Passando pra dizer oi e mostrar que ainda continuamos numa lindeza só!

Essa semana é o retorno do Chico. Ele já nos passou todos os sustos nesses quase 20 dias. Alice anda endemoniada e querendo gastar com ele toda a energia que economizou nesses 45 dias de ausência. Rezar e torcer pra que tudo esteja no lugar certo e ele liberado pra barbarizar!!

não gosto de câmeras...

não gosto de câmeras…

Complicado demais ser linda...

Complicado demais ser linda…

Adaptação: nós sobrevivemos!

Não é lindo quando dois cachorrinhos se encontram, empinam a bundinha pra trás e saem correndo como dois melhores amigos de infância?! Não podia ser assim com os bigodinhos? Ia ser lindo, mas quem tem gatos sabem que esses peludinhos são encrenqueiros, territorialistas e detestam invasores!

Quero dividir com quem passa por aqui como enfrentamos (eu e Alice, pq ela é sempre a que tem de se adaptar!) quatro adaptações. Pela internet encontramos muitas dicas. É sempre bom tentá-las e também ser atento aos próprios instintos.

1. Primeira adaptação: adulto x filhote

Duas semanas depois: eu te adoto menor abandonado!

Duas semanas depois: eu te adoto menor abandonado!

Quando Chico chegou, Alice já tinha mais de seis meses. Ele tinha dois. Planejamos deixá-los em cômodos diferentes, mas tudo deu errado. Ele pulou do meu colo direto pros braços e patadas da Alice. Ela emburrou dois ou três dias. bateu nele, na gente e ele chorou, chorou, chorou.

O que fizemos?

Brincamos muito com eles no mesmo ambiente, cada um uma brincadeira. Aos poucos ela se rendeu e começou a brincar com ele. Foram cinco dias até eles se suportarem.

Como eu estava de férias, quando ela dormia eu o colocava por perto pra ela se acostumar com o cheiro dele. Ela o adotou e viveram felizes pra sempre até o chico ferrar o joelho e ficar 20 dias fora.

2. Segunda adaptação: gatos adultos que já se conheciam

Depois de 20 dias fora, quando voltou, Chico foi recebido como um estranho pela Alice. Só de vê-lo pela fresta da porta, ela cuspia, silvava e se afastava.

Tática da comida – alimentá-los cada um de um lado da porta não funcionou, Alice preferiu ficar sem comer a dividir a comida com o cheiro do Chico.

Escovamos os dois com a mesma escova, Ajudou um pouco, mas não foi milagroso.

O que resolveu? O tempo e a insistência do Chico. Não podíamos brincar com ele, por causa do joelho. Ele mesmo foi persistente, apanhou, levou patada, mordida e em 30 dias estavam se suportando.

Vc poderia, por favor, não se aproximar de mim, gato preto de cheiro esquisito?

Vc poderia, por favor, não se aproximar de mim, gato preto de cheiro esquisito?

3, Terceira adaptação: gato adulto x gato adulto

No período em que Chico ficou internado pela segunda vez, trouxemos a Miúcha, de passagem. Agora eram as duas gatas se estranhando. Tanto Alice, quanto a Miúcha se estranhavam. Ameaçavam avançar, se abaixavam, curvavam as costas. Alice parecia um tóten plantado na porta do quarto vigiando cada movimento da Miúcha, tadinha!

O que fizemos? Mais uma vez, usei a tática de brincar com as duas no mesmo ambiente. Além de escová-las com a mesma escova, dessa vez usei a tática da essência de baunilha no lombo. O melhor relato do uso da baunilha está aqui (ri muito!). Mas, infelizmente, aqui em casa as duas ficaram cheirando pudim e só (faz quase um mês e Alice ainda cheira um pouquinho pudim!). Em duas semanas, elas deitavam a um metro uma da outra, mas qualquer movimento brusco desencadeava reações de brabeza. Em duas semanas, tivemos de isolar a Miúcha por causa da criptococose, mas acredito que em um mês elas conviveriam numa boa.

Não se mexa, intrusa!

Não se mexa, intrusa!

4. Quarta adaptação: gatos que se conheciam novamente

Nem eu acredito na rapidez com que a Alice aceitou o Chico de volta dessa vez. Foram menos de três dias pra ela voltar a tratá-lo como antes. Ele ficou 45 dias fora e eu já estava preparada para a terceira guerra mundial felina.

Como foi?

Antes de entrarmos com o Chico em casa, meu marido foi na frente, pegou Alice no colo e fez muitos carinhos (no gato que está na casa). Depois soltamos pra ela cheirar a caixa de transporte com o Chico dentro. Cheiro, cuspe, cheiro, cuspe de novo.

Na sexta-feira, ele ficou trancado no quarto. Ela ficou na dela, deu uma cuspidinha quando o viu pela fresta e só.

Dia seguinte, com o Chico solto, muitas brincadeiras com a Alice.

Petiscos para ambos quando conviviam sem tentar se matar.

Agora um fato que eu penso que seja determinante. Antes de deixar que eles tivessem contato um com o outro, escovei bem a Alice. Peguei a bolinha de pelo dela e esfreguei pelo corpo inteiro do Chico, principalmente bochechas e pescoço. Fiz o mesmo com a bola de pelo que saiu dele. Esfreguei sem dó na Alice, bochecha, pescoço e cangote, corpo inteiro, muito, mas muito mesmo.

Ele chegou na sexta à noite, quando foi segunda, já estavam dormindo juntos, banhos coletivos e brincadeiras como se nada tivesse acontecido. Tempo: dois dias e meio!

Estamos de volta na área pra barbarizar!

Estamos de volta na área pra barbarizar!

Acho que cada animal tem seu tempo. Adaptação entre gatos requer paciência e investimento de tempo. E, claro, paciência! Um detalhe que eu ouço sempre no programa do Jackson Galaxy: não deixar nunca que eles cheguem a brigar de verdade, senão pode ser muito mais difícil a adaptação.

Bom, quis dividir essa experiência, pois sei o quanto é desesperador ter gatos que não se toleram na casa. É de enlouquecer! Espero que nossa experiência ajude a quem passa por esse momento!

Em casa…

Que Alice e Chico mudaram meu jeito de me relacionar com gatos, quem frequenta esse blog já está cansado de saber. Mas, pros que chegarem aqui desavisados, eu preciso compartilhar a experiência da internação do Chico.

Desde criança, aprendi que gatos são traiçoeiros, não se apegam às pessoas e gostam só da casa. Tivemos alguns gatos, mas desses que aparecem no quintal e a gente dá comida por pena. Eram mais da rua do que nossos e quando nos mudávamos, eles ficavam pra trás, pq na verdade nunca dependeram da gente. Esses gatos eram a prova de que eles nunca se afeiçoavam às pessoas (por motivos óbvios).

O Chico acaba de voltar depois de 45 dias internado. Eu senti muita falta dele, mas a vida corrida fez com que o tempo voasse. Pelo menos, pra mim. Pra ele, eu sei que foi um longo período de saudade. Eu visitei o Chico, durante esses 45 dias, todas as segundas, quartas e sextas. Cada vez que eu cheguei na recepção da clínica e dei boa noite (ia às 19h), o primeiro a responder, lá de dentro, do local da internação, era ele, com um longo e alto miado. Era só ouvir minha voz.

Em todas as visitas, eu fiz questão de levar petiscos que ele adora. Nas primeiras visitas, ele nem queria saber dos petiscos. Queria só que eu não tirasse a mão dele, as duas de preferência. Chico, em todas visitas, babava, se esfregava, mostrava a barriga, fazia gracinha pra chamar minha atenção. Quando ele foi internado, fechou a cara pro mundo. Ficou duas semanas sem deixar que ninguém se aproximasse dele. Mas o humor era outro quando eu chegava na clínica. Os veterinários ficaram impressionados pq nunca tinham visto essa reação num gato. “Quando eles estão bravos, ficam bravos com todo mundo, até com os donos”. Ao me ver, ouvir minha voz, ele miava, ronronava, babava, se enroscava, tentava subir no meu colo. E seguiu assim, em cada um dos dias em que fui vê-lo.

Uma amiga me perguntou uma vez se ele não se esqueceu de mim por ficar tanto tempo internado. Um cachorro se esqueceria de seu dono? Pq um gato, tratado com todo carinho, se esqueceria?

O Chico não só não se esqueceu de nós por um minuto sequer, como nos esperou a cada dia. A veterinária me contou que, quando eu não ia, no horário em que estava acostumado com a minha visita, ele começava a chamar. Depois de se acostumar com a rotina, quando sabia ser dia de visita, a miação começava cedo, como quem antecipa a chegada. O Chico, nesses 45 dias, se comportou como a raposa do Pequeno Príncipe: “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde às três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieto e agitado: descobrirei o preço da felicidade!”

Existem pessoas que tratam o bicho com indiferença, existem aqueles que os dispensam ao menor sinal de dificuldade. Eu já sabia, mas depois dessa experiência eu tenho certeza, de que o Chico não mediria esforços para estar no mesmo lugar que a gente, até o fim dos dias dele. Como um ser humano pode abandonar um animal com esse tipo de sentimento (?), convicção (?)? Coloquei questões sobre os sentimentos pq não quero humanizar o Chico ou qualquer outro bicho. Sei que ele é um animal, com instintos, com reações puramente instintivas e impensadas. Mas é instinto me esperar todos os dias? É instinto ronronar com tanta satisfação ao contato de uma mão humana? Eu nunca vou saber. Mas não preciso saber cientificamente disso. O Chico, deitado no meu colo, dormindo com a satisfação de uma criança realizada, não precisa me explicar nada, ele está aqui, inteiramente aqui nesse momento presente como se fosse o único da vida dele, está seguro na casa dele – sim, ela é dele e a gente mora aqui de favor – pelo resto dos poucos anos que teremos o privilégio de dividir com ele. Pra sempre!

como vcs sobreviveram sem mim?

como vcs sobreviveram sem mim?